Aprendiz de feiticeiro

Foto: Blog do Anderson
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Jorge Maia

Em 1975, cursando o terceiro ano do curso de Direito,portando a carteira de estagiário, encontrava-me no vigor faz minhas ilusões, verdadeiro paladino da Justiça. Quem sabe, O Dom Quixote? Audaz cavaleiro andante, mais preocupado em encontrar Themis do que deparar-me com a visão luminosa de uma Dulcinéia. Percorria, com vaidade, os corredores do Fórum Rui Barbosa sem perceber que era apenas mais um, entre tantos que sonhavam com o encontro divino, onde a deusa, habitante do longínquo monte olimpo, nos sagraria cavaleiro de sua corte. Era um sonho, é verdade. Entretanto, quem não os teve, jamais saberá  o que é viver,ainda que por alguns instantes, no território da imaginação e deliciar-se com um voo livre em um céu que é somente seu e onde os sonhos são um doce néctar que alimenta a nossa existência. Leia na íntegra a crônica de Jorge Maia.

Um dia, finalmente a minha primeira audiência. Defendia os interesses da parte autora e tive que fazê-lo sem a companhia do Monitor, orientador, o qual estava impossibilitado  de comparecer à audiência. No curso da audiência senti o olhar  de aprovação do Juiz e do Promotor, não poderia  haver melhor recompensa para quem estava iniciando na difícil arte da advocacia.

À medida que ia experimentando cada tipo de Ação, desejava a prática de outra. Queria, de fato, entrar nas questões  processuais que levassem a maiores indagações. Percorridos os diversos caminhos da justiça comum, restava, ainda, uma aventura por terras não conhecidas. Faltava percorrer os labirintos da Justiça do Trabalho.

A sorte me sorria. Uma senhora, no Fórum, dirigiu-se a mim e perguntou se  poderia acompanhá-la em uma audiência na Justiça do Trabalho. Não pensei duas vezes. Aceitei o desafio e compareci na Junta de Conciliação e Julgamento ( naquele tempo era assim), no horário combinado. A cliente foi pontual e apontou o advogado do seu empregador, então, dirigi-me ao colega que se encontrava no interior da sala de audiência, próximo a uma janela, de modo a estabelecer conversa sobre um acordo.

Não percebi que a cliente me acompanhava e que ao passar pela mesa do Juiz agarrou um ” peso” para segurar papel, e que era feito de  vidro, muito pesado, e avançando sobe o referido colega agrediu-lhe com o ” peso” atingindo-o na testa. Houve muito sangue.

Fiquei petrificado. Foi tudo muito rápido. Lembro-me da voz do Juiz predam esta mulher. Em seguida perguntou-me: o Sr é advogado desta mulher? Respondi de imediato: era, doutor! 06041997.


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