Jorge Maia: Umas músicas mais assim

Foto: BLOG DO ANDERSON
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Jorge Maia | Professor e Advogado | [email protected]

Eu era menino, e não faz muito tempo, que curtia rádio o tempo todo. Não é a primeira vez que falo sobre o meu gosto pelo rádio. Eu ouvia até onde o rádio alcançava. Emissoras do Rio de Janeiro, São Paulo, as emissoras da cidade e tantas quantas o dial permitisse. Leia na íntegra.

Mesmo ainda menino, eu ouvia emissoras do exterior que transmitiam em Português. Sempre gostei da BBC falando sobre os acontecimentos da Europa, da cultura Inglesa e dos espetáculos em cartaz na velha Londres. A sua chamada de identificação era: This is BBC- British Broadcasting Corporation.  A emissora francesa: ici radio française. Eu me lembro da Rádio Havana, ouvida em segredo por causa da ditadura, e se anunciava: Cuba, território libre de América. Ouvia as rádios de Portugal na África, uma emissora Chinesa falando do velho Mao, também emissoras da Suíça. Eram tantas que eu terminava por confundir tanta informação.

Música e notícia era sempre o que eu queria. Não perdia a programação local e ouvia novelas, programas policiais, entrevistas e temas variados. Tudo. Até hoje não perdi a mania. Tenho rádio no carro, no meu quarto e na cozinha, além de ouvir rádio na internet. Mas não sou o único, faço parte da maioria louca por rádio. Outro dia, em visita a uma pessoa amiga, descobri que se trata de um colecionador de rádios, pois tem um rádio em cada cômodo da sua casa.

Em uma dessas manhãs preguiçosas, eu passeava pelo dial do nosso rádio em busca de algo que fosse interessante. Tentei as ondas curtas, as ondas longas sem que encontrasse algo interessante, mas segui adiante no meu passeio até que encontrasse uma música ou uma reportagem que me agradasse.

Naquele deslizar, terminei parando em uma música clássica, não me lembro de qual, mas permaneci ali aguardando o final da música, curiosamente tocada naquele horário e emissora. Era a Rádio Regional de Conquista. Uma emissora de pouco alcance, porém tinha uma extensa programação musical no horário da manhã. Aguardei que o apresentador anunciasse a razão daquele tipo de música que destoava da programação tradicional.

Ao final, o apresentador anunciou que havia falecido determinada pessoa, dono de uma empresa que era anunciante naquela emissora, razão porque estava tocando “umas músicas mais assim” e continuou com outra música clássica.

Certamente faltou palavras ao locutor para expressar o tipo de música apresentado e a expressão “mais assim” fazia sobressair a diferença com a programação normal. Hoje, ao ouvir a programação de tantas emissoras, inclusive televisão, com os mais diversos e sofríveis tipos de músicas, penso que aquele locutor tinha razão. Já está na hora de ouvirmos umas músicas mais assim. 300116


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