Jorge Maia: Caiu na rede é fake

Foto: BLOG DO ANDERSON

Jorge Maia | Professor e Advogado | maiajorge@yahoo.com.br

Antigamente, não tão antigamente, dizia-se que a mentira tem pernas curtas e por isso logo caia em desgraça. Atualmente a mentira tem nome sofisticado; fake, e percorre o mundo com tal rapidez e de modo instantâneo causando um estrago às vezes irreparável, deixando a entender que as suas pernas são longas e velozes. Leia na íntegra.

Podemos contrapor, alegando que o desmentido pode ser de igual modo rápido, contudo, o seu efeito pode não ser o mesmo, uma vez que grande parte dos leitores já firmaram opinião contrária, enquanto outros não se interessaram pela resposta, ou explicação. Em alguns vídeos, as pessoas falam com tal veemência verbal e trejeitos faciais que chegamos a desconhecer o autor da notícia, antes, considerado equilibrado e portador de senso respeitável.

Estamos substituindo a interlocução do jornalista, cujo papel é intermediar com espírito analítico as notícias e os fatos, pela manifestação pessoal e emotiva das nossas interpretações; enfim, nos tornamos donos das notícias, o que não caracteriza exercício ilegal da profissão de jornalista, pois estamos assegurados pela liberdade de expressão de pensamento.

Somos proprietários das nossas verdades e acolhemos com um like, ou outra forma de manifestação que nos remeta a apoiar o emissor da opinião, quando na verdade podemos estar contribuindo para ampliar a divulgação de algo que não é verdade e prejudicando a reputação de alguém, podendo implicar em responsabilidade civil e penal.

É preciso defender a liberdade de expressão do livre pensador, mas isso exige que cada um tenha um mínimo de senso e saiba submeter às revisões necessárias as suas ideias, ou pensamentos. Não estamos falando de cientificismo, mas da necessidade divulgar notícias que resistam a um mínimo de análise das suas vinculações com o fato que a originou.

Usar as redes sociais para disseminar as tais pós verdades, ou fakes, é atitude pouco recomendável, em um momento em que precisamos de lucidez para compreendermos o momento social e histórico que estamos vivendo e em que o uso das redes sociais tornou-se em arma para todos os fins. Isso vale para todos os partidos, religiões, para os ateus e àqueles que têm compromisso com a verdade, pois nem tudo que cai na rede é peixe, nem tudo é verdade.VC201019.


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