Direitos Humanos | Alvorada dos Ojás reforça a conscientização contra a intolerância em Vitória da Conquista

Fotos: SECOM | PMVC

A Praça Tancredo Neves recebeu, na noite da última terça-feira (20), uma importante ação de combate à intolerância religiosa em Vitória da Conquista. A 13ª edição da Alvorada dos Ojás, promovida anualmente pela Rede Caminho dos Búzios, reuniu lideranças religiosas, sociedade civil e autoridades num momento de união, respeito e paz. A cerimônia teve início com o Xirê dos Orixás, um ritual de reverência aos ancestrais, com toques e cânticos das religiões afro-brasileiras, que chamam as divindades do povo do Axé numa reverência de forma simbólica. Em seguida, ocorreu a distribuição dos Ojás, laços brancos para amarração nas árvores da praça, representando a paz e o enfrentamento ao racismo religioso. O coordenador de Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEMDES), Ricardo Alves de Oliveira, destacou a relevância da iniciativa afirmando que:

“A Alvorada dos Ojás é um convite que as religiões afro-brasileiras fazem à população brasileira pela paz, pela convivência pacífica, pelo direito constitucional coletivo da liberdade de culto e de crença. Sabemos que no Brasil, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, existe um forte ataque contra as religiões de matriz africana. A Alvorada dos Ojás é puxada pelo povo do Axé, mas é um convite a todas as pessoas, de todos os credos, para partilhar esse momento de comunhão, e um pedido de paz, tolerância e respeito, para que todos possam professar a sua crença de uma forma harmônica e respeitosa.”

A Assessora Jurídica da Rede Caminho dos Búzios, a yalorixá Thalia Assis, ressaltou a necessidade de conscientização permanente e declarou: “Desde a fundação da Caminho dos Búzios, nós pensamos nesse evento para que a gente relembre exatamente a questão do racismo religioso, da convivência religiosa. Hoje, as religiões de matriz africana têm sofrido muito com o racismo religioso, porque ele está evidente no nosso dia a dia. Se nós saímos com nossas vestes, nós temos problemas, somos discriminados, nas escolas nós temos problemas. Este ano estamos com um calendário para intensificar dentro de Vitória da Conquista esse trabalho de combate à intolerância e ao racismo religioso, inclusive para mostrar para as pessoas que existe uma diferença muito grande entre intolerância religiosa e racismo religioso. E as religiões de matriz africana, elas não sofrem apenas intolerância, em geral elas sofrem o racismo religioso, porque são de matriz africana.”

O babalorixá Pai Léo reforçou o ato como um chamado pela diversidade e explicou a conexão com o sagrado: “A gente está aqui quebrando dogmas, quebrando laços antigos do preconceito estrutural. Nós do Candomblé temos uma conexão direta com a natureza: fogo, água, terra e as plantas. Quando a gente coloca um Ojá numa árvore, é simbolizando a paz, pedindo aos nossos ancestrais que reverenciem a gente, que nos olhem com bons olhos, que tragam paz e saúde para esse mundo, porque a árvore é sagrada, ela traz o oxigênio para a gente, então quando amarramos o laço na árvore, tocamos a cabeça lá, estamos pedindo aos nossos ancestrais que a gente tenha paz. É como se fosse um abraço.” A Alvorada dos Ojás antecipa o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que recorda o falecimento da Ialorixá Mãe Gilda, vítima de ataques por sua prática religiosa.

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