
Jorge Maia | advogado e professor
Quero começar com os versos de Fernando Pessoa, os quais valem tanto quanto o meu sonho de rio: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Sempre vejo o Verruga, pois costumo passar nas proximidades do orquidário. Atravesso a pequena ponte ali existente e vejo um filete tímido de água que, em suave murmúrio, percorre um leito assoreado e pede socorro. Falta amor ao Verruga. Aquele que saciou a sede, lavou roupas e panelas, vive apenas na lembrança daqueles que ali buscaram o que beber — das latas d’água na cabeça, subindo para o Guarani. Outras vezes, na memória dos poetas, dos saudosos e dos documentários; daqueles que sabem da necessidade de proteger memórias. Confira a crônica de Jorge Maia.
Sei das iniciativas das diversas administrações com o objetivo de proteger o Verruga, mas nada de grandioso sob o ponto de vista de transformá-lo em valor agregado à nossa memória. Ele é pouco citado, pouco cuidado e pede socorro. A demora em socorrê-lo o transforma em ponto de descartes de matérias diversas e não como um patrimônio natural. A ineficiência ou a demora do poder público tornam cada vez mais difícil a sua sobrevivência.
É preciso sensibilidade dos moradores; é preciso vaidade de pertencimento que permita defendê-lo como um aditivo da nossa cidadania, de modo que ele se torne uma referência tal qual outros monumentos da nossa cidade. Falta amor ao Verruga. Ainda não conseguimos compreendê-lo na sua importância para o meio ambiente e para o seu significado. Parte das suas águas são lágrimas dos caboclos de quem tiramos a terra e o seu murmúrio o gemido daqueles injustiçados.
Falta amor ao Verruga. Falta o amor de cada um de nós, que mais do que memórias temos compromisso de preservá-lo, quer como relíquia, quer como agente privilegiado da nossa história. Salvemos o Verruga! Que haja um projeto arrojado para a sua preservação. Porque o Verruga é o rio da nossa cidade.
VC. 28/01/26

