Avenida Caracas | especialista cobra solução para o canal de drenagem que sugou e matou mulher em Vitória da Conquista

Fotos: BLOG DO ANDERSON

Avenida Caracas permanece no centro das discussões sobre infraestrutura urbana em Vitória da Conquista. Construída pela MRV Engenharia e Participações, a via conta com uma calha de escoamento que inunda desde a sua inauguração, há mais de oito anos. A situação ganhou contornos trágicos na tempestade de março deste ano, quando a dona de casa Rosângela Silva Borges, de 46 anos, morreu após o carro de transporte por aplicativo em que estava acabar sendo arrastado pela enxurrada.  Após o ocorrido, a prefeita Ana Sheila Lemos Andrade, do União Brasil, anunciou medidas emergenciais. Após 49 dias interditada, a artéria acabou liberada com placas de sinalização e barreiras metálicas de proteção, conhecidas como guard-rails, instaladas entre as avenidas Bartolomeu de Gusmão e Juracy Magalhães.

Apesar de transeuntes relatarem maior sensação de segurança, usuários do trecho manifestaram desconfiança e classificaram a intervenção como insuficiente, apontando riscos para motociclistas e pedestres. O professor de Arquitetura e Urbanismo, Gerardo Angel Bressan Smith, referendou a preocupação e explicou as limitações técnicas.  “Bom, é um paliativo, porque eu vou explicar. Nós temos aqui uma área onde seguramente em grandes chuvas vão estar entre 6 e 10 mil metros cúbicos, ou seja, são milhões de litros de água em movimento. É uma força cinética muito grande, tá? Se tivermos um nível baixo que passe por debaixo do Guarde Rio, pode arrastar alguma coisa por baixo do Guarde Rio.

É um risco. Aí tem ponto que o Guarde Rio é alto, pode até um veículo ficar enganchado aí”, detalhou o arquiteto. O especialista pontuou que a solução definitiva exige uma reforma estrutural completa do leito, baseada em um cálculo hidrológico adequado que considere a demanda hídrica das microbacias do entorno. O urbanista esclareceu que a intervenção necessita principalmente da ampliação dos bueiros de passagem e da correção de sua inclinação, já que a Avenida Juracy Magalhães possui uma cota mais alta e funciona como obstáculo para o fluxo de água. Atualmente, o Executivo Municipal realiza serviços de limpeza das margens para tentar acelerar a velocidade da correnteza, enquanto orienta os condutores a evitarem o perímetro durante episódios de precipitação intensa.

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