
Na Cachaçaria Artesanal O Taberneiro, localizada na Central de Abastecimento Edmundo Silveira Flores, o BLOG DO ANDERSON conversou com Jean Cláudio Macêdo Rocha. Aos 68 anos, aposentado pela Neoenergia Coelba, antiga Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, ele desponta como um dos ícones da Cultura Conquistense. Escritor, poeta e compositor musical, Jean Cláudio assina a letra de “Menino da Vida”, clássico imortalizado por Evandro Correia [1959 – 2025]. O bate-papo ocorreu no marco de um ano do falecimento de Evandro Correia. “É tristeza, dá uma dor no coração, velho. O tempo passa rápido, mas ele é uma figura inesquecível, tá gravado”, desabafou o escritor sobre a perda do parceiro musical. Ao ser questionado sobre a origem da célebre canção, o compositor detalhou o processo criativo da obra. “Rapaz, Menino da Vida, eu escrevi em 80. Eu escrevi para ele, inclusive, entreguei para ele a letra em 80. Acho que passou um mês depois, ele chegou com a melodia pronta, que só foi alegria de lá para cá, né? E ter um poema meu gravado por Evandro Correia, há tanto tempo atrás, e é uma música atual, que tá presente aí, acho que eternamente”, relembrou Jean Cláudio. O autor também comentou suas publicações literárias, destacando a coletânea mais recente. “Eu lancei um livro recente, aliás, dois em um, agora em abril. Aí foi uma satisfação, que tinha mais de 10 anos que eu não lançava um livro. Lancei recente agora, no dia 24 de abril. Aí foi coisa boa.
O primeiro livro que eu escrevi foi em 88. Depois a gente teve um CD gravado pelos artistas da terra, inclusive Evandro tá no meio, lógico. Depois eu fiz outro livro, ‘Pau de Espinho na Banda da Janela Azul’. E agora recente eu lancei o livro, dois livros em um, que é ‘Pedra Uma’, que é ‘Desassossego do Eu’, ‘Uma Carta para Fernando’ e ‘Um Barco Bêbado'”, explicou o poeta. Em análise sobre a situação atual da produção de textos na região, Jean Cláudio apontou as dificuldades enfrentadas pelos produtores locais. “A literatura em qualquer lugar é muito difícil, não tem divulgação, não tem espaço. Então, existe grandes, grandes poetas aqui, pessoal que faz literatura, romance, mas só que fica escondido, né? Porque não tem divulgação, não tem espaço”, avaliou o entrevistado. Ao resumir sua própria trajetória de vida e profissional, o artista detalhou sua forte ligação com a escrita desde a infância e sua rotina atual na Joia do Sertão Baiano. “Eu nasci aqui perto, na Rua da Misericórdia. Eu escrevo desde 11 anos de idade, né? Porque eu sinto uma coisa aqui dentro, aí eu boto para fora. Eu trabalhei na Coelba durante 35 anos, tô aposentado e continuo escrevendo. Geralmente eu posto no Facebook, que é um espaço assim aberto, que todo mundo pode conhecer e participar”, declarou o escritor de 68 anos, que mantém viva a produção poética.

