Sabor & Tradição | Dona Railda completa 52 anos de história e culinária em Vitoria da Conquista

Fotos: BLOG DO ANDERSON

Em um bate-papo com o BLOG DO ANDERSON, após saborear um delicioso Carneiro Ensopado ao meio-dia desta segunda-feira (27), a equipe conferiu de perto a trajetória de uma das personalidades mais marcantes da Gastronomia Popular Conquistense.  Aos 87 anos, Railda Borges de Pinho carrega no sorriso e nas mãos o tempero que conquista gerações no Mercadão Fernando Spínola, o tradicional Mercadão Municipal, em Vitória da Conquista. Prestes a completar 52 anos de atuação no mesmo endereço, a cozinheira representa referência de afeto, trabalho duro e memória viva das transformações urbanas da Joia do Sertão Baiano. Natural de Castro Alves, no Recôncavo Baiano, Dona Railda aprendeu a cozinhar ainda na infância, observando a mãe no fogão a lenha para alimentar uma família numerosa.

“Com 10 anos eu já estava no fogão. Lá na casa de minha mãe eram 16 pessoas e eu cozinhava para todo mundo. Não estudei para cozinhar, já tinha aquele dom. Minha mãe ia para o fogão e eu ficava do lado olhando ela temperar as coisas”, relembra a feirante. Antes de se estabelecer em Vitória da Conquista, para onde se mudou aos 12 anos acompanhada dos pais e irmãos, Dona Railda enfrentou a rotina pesada do campo. Trabalhou na lavoura colhendo milho e feijão na Fazenda Água Azul, nas proximidades de Itapetinga, até se fixar em Vitória da Conquista.

Ao chegar ao Mercadão Fernando Spínola, encontrou um espaço já movimentado, mas garantiu o ponto onde permanece até hoje.  Ao longo de mais de meio século no comércio popular, ela criou e encaminhou os oito filhos, sendo seis mulheres e dois homens, acompanhou a construção do Centro de Abastecimento Edmundo Silveira Flores (CEASA) e viu Conquista se expandir ao redor do seu ambiente de trabalho. Acolhedora, a comerciante destaca que o segredo do sucesso e da longevidade vai além das panelas.  “Primeiramente Deus, em segundo lugar minha família. Meus fregueses aqui me chamam de mãe e eu gosto de tratar todo mundo bem. Me chamaram para ir para o CEASA quando construiu, mas falei: vou nada, Deus me deu esse cantinho aqui e é aqui que vou ficar, feliz com Jesus”, declarou Dona Railda.

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