
Ícaro Dias Cruz*
Há tradições que atravessam o tempo porque existem pessoas comprometidas em mantê-las vivas. A celebração realizada pela Associação Terreiro de Umbanda Casa Axé das Águas nesta segunda-feira (12) expressa com clareza essa continuidade, reunindo fé, encontro, memória e ancestralidade. A procissão em louvor a São Cosme e São Damião e a partilha do tradicional caruru reafirmam a força de uma herança cultural que ultrapassa gerações e permanece viva na experiência coletiva do nosso povo. Compreender essas manifestações como patrimônio histórico e cultural significa reconhecer que elas não representam apenas lembranças de um passado distante. Trata-se de práticas vivas, constituídas por saberes, afetos, ancestralidade e formas de pertencimento que ajudam a contar quem somos e a compreender a história do nosso território.
Preservar esse patrimônio vai além de admirar uma tradição: exige assumir um compromisso coletivo com sua continuidade, valorizando as pessoas que a sustentam, os conhecimentos que a atravessam e as memórias mantidas acesas. A beleza da festividade esteve presente na procissão, na distribuição do alimento, nos encontros, nos gestos de devoção e na certeza de que uma cultura permanece viva quando a comunidade reconhece nela parte de sua própria trajetória. Que São Cosme e São Damião sigam inspirando nossos caminhos e que nunca falte compromisso com a preservação daquilo que nos constitui. A fé possui história, a tradição carrega memória e o patrimônio constrói futuro quando existe a escolha de cuidar dele. Viva São Cosme! Viva São Damião! Viva a nossa cultura!
*Ícaro Dias Cruz é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGed) e pesquisador vinculado à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), no campus de Vitória da Conquista.


