Foto: Blog do Anderson
As “promessas” de rompimento entre PCdoB e PT parecem cada vez mais próximas de serem “pagas”. Ao que tudo indica – e a entrevista do presidente do PCdoB, Marcos Andrade, ao Blog do Fábio Sena, na última quarta-feira (3), ilustra bem o cenário político atual no campo das forças de esquerda: muita conversa e pouco acordo. Segundo fontes petistas, a “conversa comunista” giraria, invariavelmente, em torno de mais cargos. Marcos Andrade deixa claro que o partido quer, sim, mais espaço no governo, mas apresenta as razões ideológicas que estariam distanciando as legendas. O partido realiza sua conferência no começo de outubro, quando será batido o martelo. Na visão do presidente comunista, uma provável candidatura de seu partido fragilizaria “as forças tradicionais, conservadoras” porque o PCdoB integra o campo progressista “e não iria para esse outro campo conservador”.
POUCO AVANÇO NAS CONVERSAS
“Temos já, desde o final do ano passado, discutido com diversas forças, especialmente com o PT e com o prefeito Guilherme Menezes a gente tem tido um diálogo muito intenso. Mas, na verdade, avançamos pouco; entretanto, estamos dialogando na busca de algum acordo que contemple o crescimento do partido com mais espaços no governo municipal. Temos um bom projeto, um bom governo, austero, responsável, comprometido com a população, agora precisa avançar em alguns setores, como é o caso dos empresários, que é muito importante para o desenvolvimento da cidade, ou seja, como avançar o projeto que está em curso”.
DISPUTA IDEOLÓGICA
“O PT é, sem dúvida nenhuma, o maior partido da frente, tem as principais lideranças, mas essa lógica hegemônica de atuação do PT acaba por fragilizar essa frente; então, é preciso que haja valorização política dos agentes políticos dos outros partidos, que haja uma reavaliação do projeto. Nós avançamos muito de 1996 pra cá; saímos de uma cidade extremamente empobrecida e com auto-estima muito baixa e nos transformamos no oásis do sertão e esse é o momento de dar o salto de qualidade, de fortalecer a condição de metrópole regional, de criar os consórcios municipais de desenvolvimento, pra que Conquista não seja uma ilha num mar de pobreza. Então, não há uma disputa por cargos, mas, sobretudo, uma disputa ideológica”.
ALIANÇA
“Eu acho que é preciso manter a aliança, mas não acima de tudo. Eu estou trabalhando pela manutenção da aliança, agora eu espero do prefeito e do PT que haja flexibilidade na forma de conduzir esse diálogo. Na verdade, a liderança de Guilherme não é uma liderança em si mesma; é uma liderança a partir de uma construção coletiva, e essa construção coletiva tem o PT, tem o PCdoB, PV e PSB; Guilherme representa esse conjunto de forças. Nós nos sentimos parte e queremos mais espaço. Se isso não foi possível dentro de uma via acordada, uma eleição de dois turnos permite que o partido se posicione no primeiro turno, meça suas forças, e no segundo turno retome os vínculos com a Frente em um outro patamar de diálogo”.


2 Respostas para “Marcos Andrade: “Não há disputa por cargos; há, sobretudo, disputa ideológica””
alex
Dúvido que alguém possa conseguir um cargo se não fizer parte de uma “ideologia” nem que seja fisiológica.
Eng. W. Anúnciação
Disputa “ideológica”?