Jorge Maia: Rancho da goiabada

Foto: BLOG DO ANDERSON
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Jorge Maia | Advogado | [email protected]

A minha de cantarolar é antiga. Vez por outra me descubro cantarolando uma canção antiga e passo a examinar a sua letra. Foi assim com “O rancho da goiabada” de João Bosco. Letra e melodia harmoniosas na transmissão da mensagem. Simplesmente emocionante. Retrata um tempo que é permanente, insistente e que teima em não mudar. Leia na íntegra.

Em poucos versos temos a narrativa de uma epopeia cotidiana, um discurso sociológico sobre a vida dos excluídos, dos que sobrevivem da fantasia que a esperança não deixa morrer. É a fome e a miséria embaladas pelo que há de vir no dia seguinte, ou quem sabe, é apenas a embriaguês da alma para suportar o nada de cada dia.

Todos os personagens citados na canção vivem uma mesma aventura. O objeto dos seus sonhos constitui – se apenas em pouco mais que um prato com bife a cavalo e bata fritas e um pouco de goiabada cascão e queijo. Um sonho simples e pequeno diante de um mundo rico, mas não tão generoso.

Em “Mãos dadas” Drummond fala que não será poeta de um mundo caduco, mas será poeta de um mundo presente. Nada tão caduco quanto o nosso tempo presente. O nosso tempo não tem a grandeza da elaboração da paz em seus amplos aspectos, pois o passado absurdo deixa um rastro de problemas que quer, agora, uma prestação de contas que é cruel, mas que precisa ser ajustada.

Um olhar sobre as lideranças, em todo o mundo, deixa-nos com a desilusão grave que estamos a viver a era da incompetência. Somos incapazes de reparar os erros da história, de promover um mundo melhor. O impasse é grave, ainda bem que a esperança não morreu.

Os boias frias, os refugiados, os despossuídos, os que querem a paz e a justiça social, vivem em mundo em desencanto, governado por despreparados cuja única utopia é oferecer em períodos eleitorais a enganação que não vai cumprir. Enfim, vivemos em um mundo caduco, à sombra de faraós embalsamados.   231115

 

 

 


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