Cultura em Mucugê: literatura, música e debate marcam segundo dia da Fligê; confira em fotos

Fotos: Divulgação | Fligê

A Feira Literária de Mucugê está contribuindo com a construção do saber e a desconstrução de muitos imaginários. No seu segundo dia, na sexta-feira ( 11), a programação versou sobre diferentes temas, transformando-se num riquíssimo roteiro para composição humana.

As atividades tiveram início com a abertura da Fligezinha, com atividades para as crianças, e a realização das oficinas de musicalização, animação, escrita criativa, brinquedos lúdicos e contração de histórias para docentes. Ao mesmo tempo, na Casa da Filarmônica, aconteceu a primeira sessão da Fligecine, a mostra cinematográfica que integra a programação que exibiu o documentário “O Fim e o Princípio”, de Eduardo Coutinho (1933-2014).

“O filme dialoga com a temática da Fligê, coloca em destaque esta ideia de que somos paisagens em rota de composição e o Eduardo Coutinho se preocupa não só com a representação da paisagem geográfica, mas principalmente com as paisagens humanas, retratando a vida de cada um de forma muito distinta”, comentou o professor da Uesb, Rogério Luiz Oliveira.

Com a participação do professor Sérgio São Bernardo, a palestra “Ubuntu e a Kalunga: Por uma justiça afro-brasileiro”, no Centro Cultural, debateu a existência de um direito afro-brasileiro e suas bases estabelecidas em nossa cultura.

“Nós estamos acostumados a estudar direito, a estudar a ideia de justiça sempre associada à tradição europeia. O que a gente está tentando agora é também contar uma outra história. A civilização africana no Brasil ela se traduz também com ideias de ética, de comportamento, de princípios morais e também pode se converter em princípios jurídicos. Por que que a gente se refere a grandes provérbios, a grandes princípios do pensamento europeu e não pode fazer o mesmo, com relação às comunidades, às organizações africanas que tem uma forte presença na cultura brasileira?”, questiona Sérgio.

Uma outra discussão, sobre inclusão e acessibilidade, foi realizada pelos convidados Arnaldo Godoy, Angelita Garcia e Lilian Menenguci. “A vida não é só isso que se vê, é um pouco mais que os olhos não conseguem perceber e as mãos não ousam tocar e os pés recusam pisar”. Foi cantando esses versos de Paulinho da Viola que o professor e historiador Arnaldo Godoy começou a sua provocação. “Temos direitos, deveres e não somos a única prioridade a ser desenvolvida em políticas públicas”, alertou Godoy, que é vereador da cidade de Belo Horizonte.

Quem também participou do segundo dia foi o escritor Zack Magiezi, que classificou como “uma experiência que não vai mais esquecer”. Ele atraiu um grande público para um bate-papo. “muito legal ver o que estão fazendo aqui, essa mistura de temas, esse incentivo à literatura”, disse. “Culminou de o lançamento ser agora e eu estar aqui e foi exclusivo. Foi muito legal ver meu livro novo nas mãos das pessoas e elas já chegando com ele”, comentou entusiasmado.

Ao final do dia, a Igreja Santa Izabel recebeu a Leitura Guiada: “O Sagrado da Palavra” com os artistas do Projeto Música e Literatura, onde o público foi agraciado com poesia e música que abordam o sagrado. Mais tarde, no Centro Cultural, a Fligê homenageou A escritora Helena Elza Medrado, Personalidade muito querida e admirada pelos moradores da Chapada Diamantina.

O encerramento do segundo dia foi feito pelo grupo Villaquintana o responsável por trazer para ao evento canções de Dorival Caymmi, que fazem parte do imaginário sobre a velha Bahia, a baía de todos os santos, cantadas pelo baiano no Rio de Janeiro.
A Fligê é uma realização do Coletivo Lavra em parceria com a Prefeitura Municipal de Mucugê e o Instituto Incluso, com apoio financeiro do Ministério da Cultura (MinC), do Governo do Estado da Bahia – Terra-Mãe do Brasil e das Secretaria de Cultura (Secult) e Fazenda (Sefaz).

 


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