Ruy Medeiros | e a Coluna Prestes não veio

Foto: BLOG DO ANDERSON

Ruy Hermann Araújo Medeiros | advogado e historiador

Os meses de março, abril e maio marcaram a forte presença da Coluna Prestes na Bahia. Era o ano de 1926, portanto há cem anos:  quando os soldados da Coluna chegaram a Condeúba, a notícia logo espalhou-se. Era do conhecimento que estivera em Rio de Contas e em outros lugares da Chapada.  Em Condeúba, a coluna chegou no dia 15 de abril de 1926.  Lourenço Moreira Lima, cronista da coluna, nos informa: 15, chegamos, após uma marcha de cinco léguas, à cidade de Condeúba, na margem do rio Gavião que atravessamos a nado, uma légua antes de atingimos a mesma cidade. A população fugira toda. Continue a leitura do artigo do professor doutor e advogado Ruy Medeiros.

Prendemos um caixeiro viajante que se escondera no mato. Pouco depois chegou um seu irmão, dono de uma tipografia, na qual imprimimos um boletim.

Condeúba foi a melhor cidade que ocupamos nos sertões baianos.

É rica e grande, tendo várias ruas e calçadas e uma boa edificação particular.

Possui um belo prédio destinado a Intendência Municipal.

Soltamos os presos que encontramos na cadeia, como fizemos em Rio de Contas e todos os outros lugares por onde passamos.

Aí demoramos até a manhã de17.

Os soldados representaram à noite uma comédia engendrada por eles próprios.

Reuniu-se à coluna o capitão Mário, que se atrasara, e nos comunicou ter combatido com os jagunços de Horácio de Matos e que ao chegar à fazenda Carrapicho de d. Casemira, fora atacado, travando combate, tendo os indivíduos que ali se achavam incendiado a casa da moradia, antes de se retirarem da mesma.

Ao sairmos dessa cidade, atravessamos o rio Gavião sobre a ponte que existe ali e fomos acampar na Fazenda Condeúba, cinco e meio léguas adiante.

A 18, acampamos na fazenda Alegre, marchando quatro léguas e
uma légua da fronteira de Minas, que ali é separada de Bahia pala serra
de Condeúba.

Da Chapada Diamantina até Minas e neste estado, os campos estavam
todos floridos.

Elemenos nossos ocuparam os povoados de Jacaraci e Boa Vista de Jacaraci (A Coluna Prestes – Marchas e combates).

A coluna percorre 266 léguas na Bahia, desde Saco, às Margens do São Francisco, entre 26 de fevereiro e 18 de abril, como informa Lourenço.

Em Condeúba, a Coluna Prestes fez do Prédio da Intendência (Prefeitura Municipal) seu quartel General. Em sua sala de reuniões do Conselho (Câmara municipal), no piso superior, o Coronel Feroz (Lourenço Vieira Lima) escreveu na parede:

Em uma sociedade desorganizada, um bando decidido a tudo penetra fundo como cunha de ferro em montão de farragem (Taine), Ruy.

O texto desenhado pelo bacharel é de autoria de H. Taine, em tradução de Ruy Barbosa. Ainda se encontra ali graças a um antigo coletor Federal, Remigio Silva, que, tendo conhecimento de que a “mensagem” seria coberta por tinta, providenciou papel transparente, copiou letra por letra, e a refez na parede, há mais de 50 anos.

Em Conquista (esse ainda era o nome de Vitória da Conquista), o Intendente Municipal reuniu os “coronéis”, mandou ao Conselho Municipal (Câmara de vereadores) mensagem com o projeto correspondente de abertura de um crédito Especial de vinte contos de Réis para armar a cidade e combater os revoltosos (assim era chamada a Coluna Prestes nos sertões baianos).

Mas a coluna não veio.

  1. Na Feira Literária de Piripá, a historiadora Joandina Casaldáliga lançara seu livro A Coluna Prestes em Condeúba.

A Flipa ocorrerá de 7 a 9 de maio, em Piripà, Bahia

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