
O sanfoneiro Flávio José divulgou o cronograma oficial de apresentações para o período junino e deixou o território baiano fora da programação de 14 shows distribuídos por Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A ausência decorre da decisão do músico de cancelar exibições após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) para adequar gastos públicos, visto que ele constava com contrato de R$ 350 mil em Dias d’Ávila. Em reunião com o Centro de Autocomposição e Construção de Consensos (Compor), o cantor recusou propostas de redução do valor, demonstrando indignação nas redes sociais com a desvalorização do forró tradicional perante outros gêneros musicais, diferentemente de atrações como Toque Dez e Solange Almeida, que aceitaram ajustes contratuais gerando economia de R$ 8,8 milhões aos cofres municipais. Em entrevista à TV Bahia, a promotora de Justiça Rita Tourinho explicou que a situação gerou interpretação equivocada e que o órgão buscou o entendimento com a produção do artista, cuja mágoa pelo cenário cultural junino expressa um debate válido que necessita de engajamento político e institucional dos municípios. “Tentamos todas as formas de tratativas, porque entendemos que ele é uma figura importante para o São João, mas, infelizmente, ele realmente não quis nenhuma tratativa”, afirmou a representante do MP-BA, complementando que “acho que ele abre um debate muito interessante que é o destaque que a gente tem que dar ao forró no Nordeste e no nosso estado. Acho que essa discussão é séria e tem que ser abraçada pelo estado da Bahia […] e os municípios têm que aderir a essa política de valorização do forró”.

