Memória do Jornalismo | Toninho da Luz relembra mais de 50 anos de carreira e declara amor a Vitória da Conquista

Fotos: BLOG DO ANDERSON

Num desses encontros casuais na Central de Abastecimento Edmundo Silveira Flores, o BLOG DO ANDERSON conversou com um dos ícones da imprensa na Bahia: Elias Antônio da Luz, o querido Toninho da Luz. Carioca de São João de Meriti, ele residiu em Governador Valadares, mas um acidente de percurso após festa em Ibicaraí o trouxe para o Sudoeste Baiano. Na Joia do Sertão, fincou raízes e recebeu o título de cidadão conquistense. Sempre sorridente, o veterano de 75 anos relembrou sua trajetória profissional, analisou a política nacional e reforçou a paixão pelo ofício nesta quarta-feira (8), em conteúdo compartilhado no Site, Instagram, TikTok, X e Facebook. Considerado verdadeiro dinossauro dos jornais impressos, Toinho guarda forte orgulho da época em que as notícias eram montadas manualmente.

“Minha vida eu comecei limpando máquina com 11 para 12 anos na Gazeta de Valadares, jornal do meu pai. Tinha uma dificuldade muito grande com tipógrafos na época. Tipógrafo pega cada letra em sua caixinha e monta a palavra, a frase, um trabalho artesanal maravilhoso que me orgulho de ter participado. Peguei amor pela carreira, fui revisor, impressor e me formei em 72. Em 74, tive a honra de ter uma matéria assinada por mim na revista O Cruzeiro, na edição de Carnaval, e foi aí que a carreira impulsionou”, detalhou o comunicador sobre seu começo no segmento. A chegada definitiva a Conquista ocorreu de maneira  inesperada na década de 1970, motivada por um sepultamento. “Vim parar em Conquista por um acidente de percurso.  Estava na casa da minha irmã em Ibicaraí e viemos para um enterro aqui. Eu, jornalista, estava no velório e saí para almoçar. Parei numa banca e perguntei pelo jornal da cidade.

O rapaz disse que tinha acabado porque a Empresa Conquistense [Viação Conquistense] fechou e o jornal foi junto. Ali aguçou o desejo. Acertei com o pessoal do Diário do Sudoeste, assumimos e tô até hoje. Meus filhos moram fora e ficam doidos para eu ir, mas não quero, meu coração tá plantado aqui. Sou cidadão conquistense com muito orgulho”, declarou o veterano ao enfatizar sua forte ligação local. Ao avaliar o atual cenário de polarização ideológica no país, o profissional da mídia destacou a resiliência característica das famílias nordestinas. “A vantagem da política é essa diversidade de pensamentos que faz com que a democracia caminhe. Agora, é preciso entender o rigor dessa divergência, porque o Brasil é um país pacifista e trabalhador. Nunca soube de ninguém que deixou de trabalhar de 8 horas às 6 horas da tarde porque é o Lula, o Bolsonaro ou o Ciro. O povo baiano e o povo nordestino são trabalhadores.

Não tem ninguém parado esperando ver o que vai acontecer, tá todo mundo fazendo a sua parte e contribuindo”, pontuou Toinho sobre a rotina da comunidade.Responsável também pela edição da Revista Perfil, o jornalista resumiu a essência da atividade informativa em um preceito básico de ética e respeito humano. “A carreira de jornalismo é muito simples, é você apenas falar a verdade. Hoje as notícias chegam direto e reto, você precisa apenas filtrar o que quer publicar. Na minha concepção, não publico nada que agrida pessoas. O trabalho que a gente desenvolve é para crescer a cidade e crescer as pessoas. Quem tiver nessa onda vai conosco. Tanto no jornal quanto na revista Perfil, a gente coloca todo o amor que tem pela profissão que carrega”, finalizou.

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