Cultura & Patrimônio | cerimônia oficial consolida tombamento do Cristo Crucificado em Vitória da Conquista

Foto: BLOG DO ANDERSON

Às dez horas da manhã desta segunda-feira (17), data em que se celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, a Serra do Periperi sedia a cerimônia oficial de tombamento do Monumento ao Cristo Crucificado como Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Paisagístico de Vitória da Conquista. A proteção institucional tem como base o parecer técnico elaborado pelo jornalista e pesquisador Fábio Sena Santos, integrante do Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Vitória da Conquista, órgão voltado a identificar, salvaguardar e promover a valorização dos bens de relevância cultural, natural e arquitetônica. Essa solenidade ganha um significado ainda mais profundo na trajetória acadêmica de Fábio Sena Santos, pois o monumento assinado por Mário Cravo Júnior constitui o objeto central de sua pesquisa de doutorado em Linguística e Análise do Discurso pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sob a orientação da docente Edvânia Gomes da Silva.

A proposta da tese analisa o Cristo Crucificado como um acontecimento discursivo marcante, uma vez que a obra rompe radicalmente com a tradição da iconografia sacra clássica, habituada a uma imagem angelical e sereno-passiva, ao impor a crueza do expressionismo em uma figura macérrima, de traços sertanejos e feições tomadas pela dor.

Ao longo das décadas, essa ruptura estética gerou um acervo rico em reações da população, com sentimentos que variam do estranhamento e pavor inicial registrados em memórias orais, passando por tentativas de apedrejamento, conforme relato de Pedro Alexandre Massinha da Rocha Jardim, até a consolidação da apropriação devocional e identitária pela comunidade. É justamente nessa transição entre a polêmica original e a elevação a patrimônio representativo que reside a força viva da estrutura como vestígio material da consciência crítica e da memória coletiva conquistense. Proteger formalmente a escultura pelo instituto do tombamento significa reconhecer que a sua dimensão monumental ultrapassa os 33 metros de altura na paisagem da Serra do Periperi, indo além da autoria de um dos maiores nomes das artes plásticas brasileiras ao alcançar os sentidos e discursos continuamente movimentados quase 46 anos após a sua instalação na Joia do Sertão Baiano.

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