Jorge Maia | o Centro Velho, cada dia mais velho

Foto: BLOG DO ANDERSON

Jorge Maia | advogado e professor

Estamos presos ao tempo das nossas memórias. Todos falam do estado de decadência do Centro de Vitória da Conquista: gente pobre, gente rica, deputados, vereadores. Os empresários, em sobressalto, reclamam das vendas e dos ataques noturnos às suas vitrines. É algo que todos conhecem. Ocorre que há apenas alguns rápidos comentários dos interessados e das autoridades, sem, contudo, a tomada de uma atitude resolutiva. Assistimos, sem camarote, de pé, caminhando pela cidade, à impiedade do tempo que, sem desculpas, nem pede passagem e passa levando memórias e deteriorando paisagens.  Afinal, qual é a área abrangente do nosso Centro? Qual seria a sua vocação? Não conhecemos manifestações sobre o assunto. O Centro Velho de cada cidade leva em conta o significado dos prédios, quer seja como memória afetiva, quer seja em face do valor histórico. Confira a crêonica na íntegra.

O nosso Centro Velho está abandonado. Não me refiro a isso de maneira crítica aos poderes públicos, mas incomoda a falta de iniciativa na retomada do estabelecimento de uso das áreas do Centro. Há uma cultura imediatista de dar atenção apenas ao que é gritante; buscam-se os likes das redes sociais e permanecem silenciosos quanto aos prédios que aguardam tombamento, minimizando a situação de outros já tombados e que se encontram em estado precário. Sempre nos manifestamos em relação aos nossos prédios já tombados e, na ânsia de vê-los bem, cometi um engano em relação ao casarão de Dona Zaza, pois apontei a existência de uma telha danificada que poderia prejudicar o imóvel. Fui corrigido pela neta de Dona Zaza, Angélica, a qual me relatou sobre os cuidados de manutenção do imóvel. Peço desculpas pelo engano, aumentando a minha admiração pelos cuidados dados ao prédio.

E o Centro, como fica? Não ficará. Poderá piorar se Executivo, Legislativo e empresários não saírem desse blá-blá-blá de um debate pobre que permite a corrosão de uma área que guarda a memória afetiva e o valor econômico para a cidade, deixando esvair no tempo saudades e economia.

Defender a cidade é estabelecer um diálogo não raso e claramente favorável ao interesse público, compreendendo o seu espírito e as raízes da sua construção em sua conjugação de valores a serem preservados. Para tanto, é preciso enxergar um novo tempo em que possamos evoluir e preservar o que há de bom. Proponho a quem de direito um grande seminário sobre o reavivamento do Centro da nossa cidade. Ouçamos empresários, engenheiros, arquitetos, economistas, administradores, líderes comunitários, a classe política, historiadores e a classe artística e cultural da cidade; todos têm muito a contribuir com suas sugestões, além de quem mais deva ser ouvido. Ainda há tempo para a grande virada.

VC06082026

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