
A assistência em saúde mental em Vitória da Conquista virou centro de um debate entre a gestão estadual e municipal. Reportagem transmitida no programa Sudoeste Agora [Rádio Clube de Conquista], destacou a sobrecarga registrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com a chegada crescente de pacientes em crise psiquiátrica. Em nota emitida à imprensa, a direção do Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista apontou que parte do fluxo recebido na UPA resulta de fragilidades na Atenção Básica e na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) mantida pela Secretaria Municipal de Saúde. Segundo o documento do órgão estadual, a estrutura municipal composta por CAPS II [Centro de Atenção Psicossocial], CAPS AD III [Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas], CAPS IA [Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil] e ambulatório de saúde mental é insuficiente para uma comunidade de 400 mil habitantes, contrariando parâmetros técnicos do Ministério da Saúde que exigem ao menos 17 leitos municipais dedicados e emergência psiquiátrica própria. O comunicado do Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista [Hospital Geral de Vitória da Conquista, Hospital Afrânio Peixoto, Hemocentro, Unidade de Pronto Atendimento e Hospital Crescêncio Silveira] também faz alertas graves sobre a falta recorrente de medicamentos básicos nas Farmácias da Família, Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) e nos Centros de Atenção Psicossocial, como antipsicóticos, anticonvulsivos e estabilizadores de humor, condição que propicia a descompensação dos quadros clínicos. Além disso, a iminente rescisão do contrato entre a Prefeitura de Vitória da Conquista e o Hospital UNIMEC pode agravar a busca por socorro de urgência. Por outro lado, o Hospital Crescêncio Silveira conta com 21 leitos de enfermaria psiquiátrica, dois de observação, além do ambulatório e emergência de segunda a sexta-feira. No entanto, o serviço estadual atende todo o Centro Sul Baiano, cobrindo mais de dois milhões de habitantes em dezenas de municípios. A divisão de responsabilidades, o fluxo de regulação e a construção de soluções entre Estado da Bahia e Município de Vitória da Conquista motivaram reuniões com a promotora de Justiça Guiomar Miranda de Oliveira Melo, do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), provocada pelos gestores do Hospital Geral de Vitória da Conquista. A emissora pontuou que buscará o posicionamento oficial do Governo Municipal de Vitória da Conquista para apresentar as justificativas da gestão de saúde pública. Acompanhe os desdobramentos sobre saúde pública, cidadania e gestão municipal no BLOG DO ANDERSON.

