Tribunal do Júri | Justiça condena terceiro réu acusado do assassinato da líder quilombola e ialorixáde Mãe Bernadete

Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil

O Tribunal do Júri condenou, nesta terça-feira (13), Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuin”, a 28 anos de reclusão pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. Ele representa o terceiro réu condenado por participação no crime. Outros dois envolvidos já tiveram sentença proferida pela Justiça: Arielson da Conceição dos Santos recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, enquanto Marílio dos Santos teve pena fixada em 29 anos e 9 meses de reclusão. Marílio faleceu dois dias após o julgamento. Outros dois acusados ainda passam pelo processo para submissão ao Júri Popular.  Mãe Bernadete acabou morta aos 72 anos há três anos no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Na ocasião, os executores invadiram a residência em que a vítima se encontrava acompanhada dos netos e efetuaram 25 disparos de arma de fogo. Segundo o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), a motivação esteve ligada ao combate promovido pela liderança contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade. Liderança comunitária e religiosa com reconhecimento internacional pela defesa dos direitos dos povos tradicionais, Mãe Bernadete atuou como secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho. A ialorixá denunciava ameaças de morte há anos e mantinha a cobrança por justiça pelo assassinato do filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o “Binho do Quilombo”, crime que permanece sem elucidação.

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